Raquel Martins – Psicóloga Clínica (CRP 19/004719)
Quando um casal planeja a chegada de um filho, o imaginário é preenchido por projeções: com quem ele vai se parecer? Que profissão terá? Como será o seu desenvolvimento? No entanto, para os pais que recebem um diagnóstico de neurodivergência ou atraso no desenvolvimento, esse "filho planejado" subitamente dá lugar a uma realidade desconhecida e, muitas vezes, assustadora.
Como psicóloga aqui na Clínica, eu acompanho de perto o que acontece no coração dos pais nesse momento. E a primeira coisa que preciso te dizer é: está tudo bem sentir luto.
Diferente do luto pela perda de alguém, o luto no contexto da maternidade ou paternidade atípica é um luto simbólico. É a perda das expectativas, das facilidades imaginadas e daquele caminho "comum" que você achou que trilharia.
Muitas vezes, a Ansiedade toma conta porque o futuro se torna uma névoa. A Depressão pode surgir na forma de um desânimo profundo ao comparar o seu filho com outras crianças da mesma idade. Sentir-se triste não te faz um pai ou mãe pior; te faz humano.
Na Neuropsicologia, entendemos que o cérebro dos pais entra em um estado de estresse crônico após o diagnóstico. A busca por respostas, por terapias e por entender o funcionamento do filho consome uma energia mental absurda.
É aqui que a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) entra como um divisor de águas para VOCÊ, cuidador:
Reestruturação Cognitiva: Vamos trabalhar os pensamentos de culpa ("Será que eu fiz algo errado?") e transformá-los em foco no que é funcional hoje.
Validação Emocional: Você precisa de um lugar onde possa dizer "está difícil" sem ser julgado.
Foco no Filho Real: O luto termina quando paramos de buscar o filho que idealizamos e começamos a enxergar, com clareza e amor, a criança maravilhosa e única que está bem na nossa frente.
Aqui na clínica, o foco das terapias é o desenvolvimento do seu filho, mas no meu consultório, o foco é a sua sustentação. Uma criança atípica precisa de pais que estejam emocionalmente regulados e fortalecidos.
Aceitação não é desistir de lutar pelo progresso do seu filho; é parar de lutar contra a realidade e começar a construir um futuro possível, com leveza e conexão real.
Você tem se sentido sobrecarregado(a) por esse luto invisível? Não passe por isso sozinho(a). O acolhimento especializado para pais é o que garante que a jornada da sua família seja feita com mais amor e menos exaustão.
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Nota da Profissional: Este conteúdo tem caráter informativo e educativo.
Raquel Martins – Psicóloga Clínica (CRP 19/004719)
Especialista em TCC e Transtornos de Humor.
Atendimento Presencial e Online.