Raquel Martins – Psicóloga Clínica (CRP 19/004719)
Você já sentiu como se, de um momento para o outro, perdesse o controle sobre os seus próprios pensamentos e o seu corpo entrasse em estado de alerta máximo? Aquela sensação de que algo terrível está prestes a acontecer, acompanhada de palpitações e falta de ar, tem um nome técnico na Neuropsicologia: chamamos isso de sequestro emocional.
Para vencer a ansiedade, o primeiro passo é entender que o que você sente não é falta de força de vontade, mas sim uma reação biológica complexa.
No centro do nosso cérebro existe uma pequena estrutura chamada Amígdala. Ela funciona como o nosso "detector de fumaça" biológico. A função dela é identificar perigos e preparar o corpo para lutar ou fugir.
O problema é que, no transtorno de ansiedade, esse detector torna-se sensível demais. Ele começa a confundir um prazo apertado no trabalho, uma crítica ou uma incerteza sobre o futuro com a presença de um predador real. Quando isso acontece, a amígdala dispara um sinal de alerta que inunda o seu corpo com cortisol e adrenalina.
Durante uma crise, ocorre um fenômeno curioso: o seu Córtex Pré-Frontal — a área do cérebro responsável pela lógica, pelo planejamento e pelo discernimento — praticamente "sai do ar".
É por isso que, no meio de uma crise de ansiedade, não adianta alguém lhe dizer para "ficar calma" ou "pensar logicamente". O seu centro de raciocínio foi sequestrado pela área emocional. O cérebro entende que, se você está em perigo, não precisa pensar; precisa apenas sobreviver.
Se a biologia explica a crise, a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) oferece as ferramentas para reprogramar essa resposta. Através da terapia, trabalhamos dois pilares fundamentais:
Reeducação da Amígdala: Através de técnicas de respiração e exposição gradual, ensinamos ao seu cérebro que aqueles estímulos não são ameaças mortais. Com o tempo, o "detector de fumaça" deixa de ser tão sensível.
Fortalecimento do Córtex Pré-Frontal: Treinamos a sua mente para identificar os "pensamentos catastróficos" (os famosos "E se...") e questioná-los com evidências reais. É como se estivéssemos a devolver o comando do barco ao capitão (a lógica) em vez de deixar o barco à deriva no mar emocional.
Entender a neurobiologia da sua ansiedade é libertador porque retira o peso da culpa. Você não é "ansiosa"; você possui um sistema de alerta que está superativado.
Se você sente que vive em um estado de alerta constante, saiba que é possível treinar o seu cérebro para encontrar o caminho de volta para a calma. A psicoterapia baseada em evidências é a chave para transformar o medo em segurança.
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Nota da Profissional: Este conteúdo tem caráter informativo e educativo. O manejo do Transtorno Bipolar deve ser sempre acompanhado por uma equipe multidisciplinar (Psicólogo e Psiquiatra). Se você sente que seu humor está oscilando além do esperado, busque ajuda especializada.
Raquel Martins – Psicóloga Clínica (CRP 19/004719)
Especialista em TCC e Transtornos de Humor.